quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Por Que a Esquerda É Mais Inteligente que a Direita

Recentemente o Yaron Brook (diretor do Ayn Rand Institute) fez um comentário interessante em seu programa de rádio: ele disse que as pessoas de esquerda nos EUA são mais instruídas e mais educadas do que as de direita, e que o motivo disso seria, na visão dele, o fato da direita estar associada à religião. Ou seja - já que pessoas mais instruídas costumam se distanciar da religião, elas tendem a perder a identificação com a direita também, e a se aproximar mais da mentalidade da esquerda, que é não-religiosa. Brook parece achar que isso é algo aleatório; que se a direita não tivesse historicamente se associado à religião, o caminho poderia ter sido outro. Eu já acho que existe uma relação natural e menos óbvia entre esses fatos:

A direita está, de maneira geral, associada a conceitos como individualismo, ambição - à vontade de competir em busca de seus objetivos e vencer. Isso requer uma certa dose de autoconfiança e otimismo.

A esquerda está, de maneira geral, associada a conceitos como coletivismo, igualdade, o desejo de viver numa sociedade onde ninguém tem mais vantagens que ninguém, ninguém é mais bem sucedido que ninguém, e que suas necessidades básicas não dependem de suas habilidades. Isso reflete uma falta generalizada de autoconfiança e otimismo.

Quando somos crianças ou adolescentes, normalmente todos nós temos sonhos e expectativas positivas em relação ao nosso futuro. Pensamos que somos indivíduos especiais com uma grande carreira nos aguardando. Nessa fase, estamos mais em harmonia com os valores da direita.

Mas nessa fase, boa parte de nossa autoestima e esperança estão baseadas em irracionalidades, misticismo, na "fé" de que algo que irá tornar nossas vidas especialmente fáceis e a felicidade garantida - nós simplesmente fechamos os olhos e escolhemos acreditar em nossos sonhos, acreditar que somos fortes, sem considerar friamente os fatos da realidade: nossas reais virtudes e chances de sermos bem sucedidos.

Esta é a conexão entre misticismo - nosso lado cego e irracional - e sentimentos positivos como otimismo e autoconfiança (que estão mais em sintonia com a direita).

É daí que vem a expressão "ignorância é uma bênção". Quando você é ignorante, não está preso à realidade e se sente livre pra acreditar no que quiser, é mais natural ser otimista, acreditar que você tem um grande potencial e que o universo conspira ao seu favor - mesmo que você não tenha nenhuma educação, dinheiro, saúde, estrutura, e que todos os fatos indiquem o contrário. A ignorância e a fé permitem que multidões de pessoas cultivem sentimentos de esperança e autoestima; sentimentos que a maioria não teria se elas se tivessem num nível mais elevado de objetividade, pois lhes faltariam fatos pra sustentar essas ideias.

Na medida em que uma pessoa amadurece intelectualmente e passa a enxergar a realidade de maneira mais objetiva, ela muitas vezes tem que abandonar esses sonhos ilusórios da juventude, pois geralmente eles se chocam contra os fatos. E com isso - com a chegada do realismo intelectual - podem ir embora também os sentimentos de esperança e valor próprio.

Esta é a conexão entre entre racionalidade, inteligência, e sentimentos de baixa autoestima, pessimismo, e às vezes inveja e ressentimento (mais em sintonia com a esquerda).

É por isso que a esquerda, de maneira geral, é mais instruída e mais inteligente que a direita - pois eles são aqueles que tiveram intelecto pra superar a fase da autoestima ilusória da juventude, e se tornaram inteligentes e maduros o bastante pra aceitarem a realidade - que na grande maioria dos casos é menos colorida do que essas pessoas gostariam (o que Ludwig von Mises chama de o "Sofrimento da Ambição Frustrada").

Claro que as opções não se limitam a essas. Você também pode ser uma pessoa objetiva, racional, não-religiosa, e ainda assim preservar sua ambição, autoestima, otimismo e o desejo de viver numa sociedade que deixe o indivíduo livre pra viver sua vida e buscar seus objetivos pessoais. Mas isso dá muito mais trabalho - pois você tem que ter motivos concretos pra sustentar esses sentimentos positivos, sem poder baseá-los na sua fé cega. Você tem que ter a coragem pra abandonar o otimismo superficial e místico da infância, e a força para reconstruí-lo na vida adulta com base em fatos e em suas reais virtudes.

"Autoestima racional" é uma virtude raramente conquistada. É por isso que em geral, a direita representa uma massa orgulhosa, porém mais ignorante e religiosa (seu orgulho depende da fé pra se sustentar), a esquerda representa uma minoria mais intelectual, realista, ateia, porém com menos autoestima (mas influente o bastante pra chegar ao poder, manipular a massa ignorante e fazê-la votar ao seu favor) - os que tentam unir racionalidade com autoestima e otimismo, em geral não são nem de direita e nem de esquerda (como objetivistas, etc) e representam uma minoria menor ainda, pequena demais pra influenciar as grandes massas e mudar o curso da história através da democracia.

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